Blackwing: por que um lápis se tornou objeto de desejo e coleção

Curadoria Blackwing

Há materiais que cumprem uma função. E há materiais que atravessam décadas, criam uma comunidade em torno deles e acabam se tornando objetos de desejo. O Blackwing pertence à segunda categoria.

Com raízes nos anos 1930, o Blackwing 602 ganhou fama entre escritores, músicos, animadores e artistas. A produção original foi interrompida em 1998, mas o lápis continuou vivo entre colecionadores e criadores. Em 2010, a marca foi reintroduzida para uma nova geração — preservando elementos que ajudaram a transformar o Blackwing em um ícone, como o corpo hexagonal, a escrita macia e a ferrule retangular com borracha substituível.

Curadoria Blackwing

Como um Blackwing é feito

O processo começa em Kofu, no Japão. Grafite em pó e argila são combinados em proporções diferentes para criar os quatro perfis de escrita da marca: Soft, Balanced, Firm e Extra Firm. Quanto maior a proporção de grafite, mais macia tende a ser a escrita; quanto maior a proporção de argila, mais firme.

A mistura é transformada em longos núcleos, seca e depois levada a um forno de aproximadamente 1.000 °C. Depois, os núcleos são mergulhados em cera quente — uma das etapas responsáveis pela sensação suave e contínua que caracteriza o Blackwing.

Em Tóquio, esses núcleos são encaixados em lâminas de incense-cedar de origem sustentável. A madeira é colada, moldada no formato hexagonal e inspecionada para garantir que o grafite fique centralizado. A pintura também é feita em várias etapas: cada lápis recebe múltiplas camadas de laca, e alguns designs especiais ultrapassam dez camadas antes do acabamento final e da gravação em foil.

A última etapa acontece em Stockton, Califórnia, onde são instaladas manualmente a ferrule característica e a borracha. Antes de sair da fábrica, os lápis passam por uma nova inspeção e são embalados manualmente.

Blackwing 602

Matte, Pearl, 602 e Natural: qual é a diferença?

A Blackwing trabalha com quatro formulações principais de grafite. O Matte usa o grafite Soft, indicado para quem busca um traço mais escuro e macio. O Pearl traz a formulação Balanced, que equilibra suavidade e controle. O clássico 602 utiliza grafite Firm, com sensação mais precisa e resistente. Já o Natural usa Extra Firm, ideal para escrita longa, detalhes e linhas mais finas.

Essa diferença não está apenas no grau de dureza. Ela muda a sensação do lápis no papel, a intensidade do traço e a frequência com que será necessário apontá-lo. É por isso que muitos usuários acabam tendo mais de um Blackwing para funções diferentes.

O que são as Blackwing Volumes?

A série Volumes foi lançada em 2015 como uma coleção trimestral de edições limitadas. Cada lançamento homenageia uma pessoa, um lugar, um acontecimento ou uma ideia ligada à criatividade. O número de cada Volume normalmente carrega uma referência à história contada por aquela edição.

Não é apenas a embalagem que muda. As Volumes podem trazer combinações diferentes de grafite, cores de corpo, ferrules, borrachas, acabamentos, materiais e técnicas de produção. Algumas edições se tornam especialmente desejadas pela história, pelo design ou por uma construção incomum.

Blackwing Volume 192 Lennon e McCartney

E os Blackwing Labs?

Os Labs são o laboratório experimental da marca. Em vez de seguir o formato regular das Volumes, eles são produzidos em pequenos lotes e servem para testar acabamentos, materiais, cores e soluções diferentes. As caixas podem ser numeradas por lote e os lápis normalmente recebem a data do lançamento gravada no corpo.

Alguns Labs tiveram janelas de venda extremamente curtas. O primeiro, por exemplo, foi disponibilizado por apenas 24 horas. É exatamente esse caráter experimental e limitado que aumenta o interesse dos colecionadores.

Por que alguns Blackwing se tornam raros?

A resposta está na própria política da marca: Volumes, Labs e Eras são produtos limitados que não são refeitos depois que esgotam. Quando o estoque termina, aquela edição deixa de ser produzida. A partir daí, a disponibilidade passa a depender de lojas que ainda possuam unidades ou do mercado de colecionadores.

As colaborações seguem uma lógica um pouco diferente, porque uma nova produção pode acontecer por decisão da Blackwing e do parceiro. Mesmo assim, determinadas collabs desaparecem rapidamente do varejo e passam a ser muito procuradas.

Blackwing x TRAVELER’S COMPANY

Colecionar ou usar?

As duas coisas. Essa talvez seja uma das partes mais interessantes da Blackwing. Um mesmo lápis pode ser uma ferramenta de trabalho excelente e, ao mesmo tempo, fazer parte de uma coleção. Há quem mantenha caixas fechadas, quem guarde um exemplar de cada Volume e quem compre unidades avulsas justamente para experimentar uma edição sem abrir uma caixa inteira.

Na nossa curadoria, procuramos reunir tanto os clássicos quanto Volumes, colaborações, gift sets, cadernos, apontadores e edições que já não aparecem com facilidade.

Quer conhecer os Blackwing que selecionamos?

Explore a Curadoria Blackwing →

Fontes e referências

Este artigo foi elaborado a partir de materiais oficiais publicados pela Blackwing sobre sua história, processo de fabricação, Volumes, Labs e política de edições limitadas.